Bob Bahlis

O domingo do dia 30/07/2011 foi especial: em comemoração aos 105 anos de Mário Quintana, fui assistir ao espetáculo “Tem Quintana na Casa”, na CCMQ. Foi um momento especial onde pude reencontrar alguns amigos, como a Gabriela Boesel e claro, o Léo Bello, um dos talentosos atores da peça.

Aliás, que peça!

Enquanto os “cozinheiros” preparavam o doce preferido do poeta, o quindim, Mário Quintana surgia na tela através de projeções, mas a impressão é que ele estava ali, diante de nossos olhos, vivo, nos dando muitas lições de vida. Ver, rever e ouvir Mário Quintana é sempre muito bom…

Depois do espetáculo, conversei com o diretor da peça, Bob Bahlis e com Léo Bello. Desde já, agradeço ao Bob e ao Léo pela entrevista e aproveito para parabenizar todo o elenco da peça: Alice Comassetto, Mariana del Pino, Samuel Reginatto e Tânia Cavalheiro. Parabéns!

bob bahlis


1- Como surgiu a idéia da peça sobre Quintana, de dar vida aos fragmentos do poeta e apresentá-lo para uma galera jovem?


O convite inicial veio da CCMQ. Eu já tenho uma ligação com o universo de Mário Quintana desde a minha infância. Eu fui leitor, eu adorava os livros infantis dele. Depois teve outro momento em que fui convidado pela CCMQ à montar o quarto do poeta, o quarto 217, no segundo andar da casa e que está aberto ao público, onde eu fiz todo o contato com a Elena Quintana, sobrinha do Mário. Juntos começamos a organizar o quarto, abrimos caixas e mais caixas, encontramos diversos materiais escritos à mão por ele, os óculos, o roupão, enfim. E aí montamos o quarto. A partir daí, a CCMQ fez o convite para montar um espetáculo em homenagem ao Mário e eu topei na hora! Aí fui atrás das parcerias, que foram: o Juarez Fonseca – autor do livro “Ora Bolas”, que contam estas histórias maravilhosas do Mário. Falei com a RBS, a Tv que tem arquivos, imagens maravilhosas do Mário, imagens da cidade de Porto Alegre que nós ficamos impressionados, imagens do Hotel Majestic, na época em que ele era hotel, então juntei todo este banco de dados e juntei também esta turma de atores, uma turma de atores jovens, e que no ano passado, formavam uma turma muito maior. Neste ano surgiu o convite novamente e eu chamei alguns dos atores que participaram no ano passado para fazer parte do espetáculo. Apesar da juventude da maioria dos atores, todos tem de certa forma, uma ligação forte com as obras do Mário, que aliás sempre nos dão a impressão de serem sempre atuais.


2- De fato, as obras do Quintana parecem ser atuais mesmo. Além deste espetáculo, tu podes adiantar se vem mais coisas do Quintana por aí?


É, eu mantenho algum contato com a Elena – que detém os direitos das obras dele – eu gosto muito das coisas que ele escreve. Pra dizer a verdade, já pensei em montar um espetáculo infantil com as obras dele, enfim, mas este espetáculo , “Tem Quintana na Casa”, de certa maneira traz o Mário vivo, a gente revive estas histórias tão bem contadas pelo Juarez Fonseca, da intimidade do Mário, das histórias… Nos mostra o quanto ele era “agridoce”, divertido, ao mesmo tempo em que parecia amargo em algumas vezes, enfim, eu costumo fazer uma ligação do Quintana com Wood Allen, claro que cada um em seu caminho, mas o Mário tem este clima, enfim. Este espetáculo me agrada muito, este formato das pessoas contando as suas histórias, os atores contando estas histórias, os vídeos projetados com Mário falando sobre coisas que ele amava, que ele odiava, que o deixava angustiado, enfim. Ele é um mestre. Eu diria que Mário é um Dalai Lama no que diz respeito à sabedoria da vida, enfim. É como se ele estivesse aqui presente e nos dissesse que a vida passa rápido demais e o quanto é importante viver o agora e tudo isso fica muito claro nas respostas, nos vídeos, nos poemas, etc… Isso tudo mostra o quanto ele ainda é atual. Prova disso é que recentemente eu estava no Rio e, assistindo os canais de tv do Rio, ví o quanto ele é “badalado”, o quanto ele é querido pelo Brasil, de uma forma geral. Sou fã de Mário Quintana! Sobre a peça, o que eu gostaria era que as pessoas fossem para suas casas e pensassem um pouco no Mário como pessoa, nas dificuldades que ele passou na vida e que, de uma certa maneira, ele não cansou de viver nunca, mesmo já com idade avançada, era visível seu amor pela vida, enfim. Envelhecer também é legal, ou como ele dizia: “ é pena que a infância é dada às crianças, mas também é uma pena que a velhice seja dada aos velhos”.


3 – Bom, teve a montagem no ano passado, agora este ano. Quando volta a apresentação da peça “Tem Quintana na Casa”?


Bom, existe a possibilidade de uma temporada aqui neste semestre e a ideia é realmente essa, levar Quintana ao maior número de pessoas e que cada vez mais as pessoas conheçam a obra deste grande gênio.

Bob Bahlis é diretor e dramaturgo com larga experiência em produção e direção de programas de TV e de rádio.

Foto: Site Secretaria da Cultura do RS


Entrevista publicada originalmente em 01/08/2011